Quando a poeira, ou melhor, a cinza vulcânica do sucesso de La Palma parecia estar baixando, a Netflix resolveu dobrar a aposta. O serviço de streaming aproveitou o painel do Nordic Media Days, lá em Bergen, para soltar uma novidade que já era aguardada por quem acompanha os números estrondosos da plataforma. A aclamada série norueguesa vai ganhar uma minissérie derivada e autônoma, por enquanto batizada sob o título provisório de Florida. E a justificativa comercial para isso é incontestável: La Palma furou a bolha internacional com força. Estamos falando de um título que cravou o oitavo lugar entre as séries de língua não-inglesa mais vistas no mundo todo, acumulando impressionantes 70,3 milhões de visualizações e fincando raízes no cobiçado Top 10 global da empresa.
A nova trama pega no tranco literalmente poucas horas após os eventos da primeira temporada — que, vale lembrar, encontrou bastante da sua base narrativa no desastre real da erupção do Cumbre Vieja em 2021. Só que agora a lente muda radicalmente de foco e de CEP. Saem de cena as Ilhas Canárias, onde acompanhamos o desespero daquela família norueguesa (e o talento de nomes como Ólafur Darri Ólafsson, grande revelação de Ruptura, Thea Sofie Loch Næss e Ingrid Bolsø Berdal), e entra um enclave de noruegueses vivendo tranquilamente nos Estados Unidos. A ironia dramática pesada aqui dita as regras do jogo: a comunidade na Flórida segue a vida normalmente, completamente alheia ao fato de que um tsunami catastrófico já está se formando no oceano, vindo direto pra cima deles.
É o tal do “Scandisaster”, esse subgênero um tanto peculiar de tragédias nórdicas, mostrando que encontrou um filão inesgotável. A Fantefilm, produtora que já tem no currículo pedreiras do nicho como Terremoto (The Quake) e Mar em Chamas (The Burning Sea), volta a segurar as rédeas do projeto ao lado da equipe original. Na sala de roteiro, Lars Gudmestad continua orquestrando o caos. Ele mesmo confessou que dar vida a Florida é um sonho criativo antigo que agora sai da gaveta, bancado pela confiança da gigante do streaming. A sacada dele parece bem clara: entregar uma destruição em escala colossal, mas sem perder a mão na hora de construir personagens que o público consiga enxergar como reflexos de si mesmos.
Para garantir que a coisa toda não vire apenas um festival oco de efeitos visuais, a direção caiu no colo de Cecilie Mosli, uma veterana que carrega na bagagem de The Snowsister a episódios de Grey’s Anatomy. Mosli tem uma leitura interessante sobre a mecânica da narrativa, pontuando que jogar pessoas comuns no epicentro de uma crise gigantesca é simplesmente o melhor gatilho que existe para a dramaturgia. É justamente esse equilíbrio tenso entre o caos absoluto e os dramas humanos intimistas que fez La Palma funcionar tão bem e que deve ditar o ritmo da nova minissérie.
A alta cúpula da Netflix nórdica parece ter entendido exatamente o apelo do material que tem nas mãos. Håkon Briseid, o diretor de séries da região, observou como o público global engoliu o gênero do desastre de forma entusiasmada quando ele é focado no desenvolvimento dos personagens, e não só na catástrofe pela catástrofe. A promessa é que Florida jogue as apostas lá no alto ao mudar o cenário, criando uma tensão nova e independente, mas mantendo a mesma pulsação e escala que conquistou os fãs da série original. Se a agenda de produção seguir conforme o planejado, a previsão é que a água bata na costa americana em meados de 2027. Até lá, a gente só pode ficar imaginando o tamanho do estrago.
A Onda Vem Aí: Netflix Aposta Fichas em “Florida”, a Sequência do Fenômeno “La Palma”
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